Local
Pousada de Santa Marinha
Latitude
N 41° 26' 28.2"
Longitude
W 8° 17' 31.1"
Datas
de 2011.07.21 a 2011.08.15
Horários
18:00
Tipo de evento
Exposição
Inaugurada no dia 21 de Julho de 2011, a exposição “As Caras da Costa” esteve patente até 15 de Agosto, na Pousada de Santa Marinha da Costa. Esta mostra resultou das duas oficinas realizadas naquela freguesia, nos meses de Maio e Junho, no âmbito do programa de residências artísticas "Mãos Dadas".
“Os trabalhos aqui reunidos são o resultado de duas intervenções artísticas desenvolvidas com um grupo de seniores e com um grupo de crianças do 4º ano do ensino primário, respectivamente. Pretendeu-se nestas residências – a exemplo das anteriores e da própria filosofia do programa de residências “Mãos Dadas”, “Conte-nos o seu sítio” – rentabilizar os recursos e saberes da população, no sentido de se produzir algo representativo para o grupo e que, de alguma forma, representasse também a própria freguesia.
Tendo em conta estes factores e o desejo manifesto de se criar um projecto colectivo e interactivo no Centro de Convívio, cada pessoa foi desafiada a dar o seu contributo no sentido de perpetuar a memória através da recriação dos brinquedos e jogos tradicionais da sua infância. Procedeu-se à recolha deste património e à tradução deste material em telas, através da técnica da pintura, com recurso a materiais diversos e alternativos: alguns contribuíam com ideias, outros escreviam, outros desenhavam e outros pintavam. A valorização pessoal foi uma estratégia de intervenção que possibilitou a produção de trabalhos originais, que apelaram à criatividade e à grande capacidade de produção dos participantes.
Para a intervenção na EB1 de São Roque, foi desenhado o projecto “Caras da Costa”, inspirado nos painéis de azulejos existentes na Pousada de Santa Marinha da Costa, nomeadamente na Sala do Capítulo. São azulejos do século XVIII, de grande interesse histórico e artístico, que emprestaram as suas caras para uma produção de azulejos de papel com recurso à técnica da gravura. Apostou-se na gravura por ser uma técnica que historicamente sempre esteve associada à azulejaria, e que como esta, está comprometida com a produção de múltiplos, e também pelo forte potencial artístico e didáctico da gravura. Improvisou-se um atelier de gravura na biblioteca da Escola, onde as crianças participaram em todo o processo, desde o preparo da chapa, acidulação e impressão.
A produção artística e o seu processo implicam uma actividade mental, comprometida com as experiências de vida, memórias, expectativas e exigências de quem produz um objecto artístico. Os processos destes trabalhos foram marcados, sobretudo pela alegria contagiante dos grupos, onde a curiosidade e a grande capacidade de produção que lhes são inerentes, possibilitaram um ambiente saudável e propício à criação artística. Procurou-se, assim, resgatar e rentabilizar recursos, técnicas e saberes para uma produção colectiva e colaborativa, sustentada em vivências pessoais, através da troca, da valorização de competências, do respeito pela diversidade e do intercâmbio de ideias.”
Walter Almeida
Artista Plástico | Dinamizador das oficinas de plástica na freguesia de Costa