Este concerto, marcado para 24 de agosto, apresenta três obras em estreia mundial.
O exotismo marca o ambiente e a atmosfera deste concerto, com a requintada música de Claude Debussy. Syrinx é uma das músicas mais apreciadas, conhecidas e tocadas por todos os flautistas do mundo. Os extratos que se vão ouvir de Biliti, igualmente adaptadas pelo compositor a música de cena, piano a quatro mãos, soprano/piano e piano só, constituem pequenas jóias do reportório flautístico e ilustram na perfeição a subtileza, poesia e o colorido que caracterizam o impressionismo.
O programa vai rapidamente evoluir para o maravilhoso desconhecido, com “quatro versos de olhar suspenso” de Fernando Lapa, que iremos ouvir em estreia. O olhar do compositor ficou suspenso nas paisagens do Douro, das larguezas de Carrapatelo, às geometrias dos socalcos e vinhedos de S. João da Pesqueira, da luz crua e invernosa , junto ao rio, em Godim ao panorama do Douro visto do miradouro de S. Leonardo de Galafura e transmite-nos musicalmente essas maravilhosas impressões nesta obra, dedicada ao Duo Meireles/Souza Guedes. A primeira parte encerra com a estreia da peça - Variações pastorais sobre um tema de Gustavo Holst, para flauta solo, de Sérgio Azevedo, editada pela AVA – Musical Editions em 2012.
A segunda parte do concerto abre com outra estreia: Fantasia para Flauta e Piano, em quatro andamentos, de Eurico Carrapatoso. A peça foi extraída da música de cena que compôs para “Peer Gynt”, de Ibsen,.em 2001. Composta para a inauguração solene do Teatro Aberto, em Lisboa, teve, na estreia, a honra da presença do então Presidente da Republica Portuguesa Dr. Jorge Sampaio. “Peer Gynt”, nesta nova versão musical, teve um grande sucesso, na altura e manteve-se em cena durante 6 meses, sendo a partitura original destinada a um conjunto de 13 instrumentistas. A caracterização “in modo antico ma non tanto”, “canção sem palavras”, “andante saudita”, “dança de ventre de Anitra” ou”in modo popolare” reflete com autenticidade o espírito de cada um. dos andamentos.
Encerra o programa a sonata de Gabriel Pierné, uma obra original para violino e piano, que traz-nos de volta à grande tradição francesa. Nos seus processos de composição Pierné concilia alguns elementos estruturais oriundos da herança de César Franck, como a polifonia orquestral, uma certa monumentalidade, raiz cíclica, etc, com elementos mais modernos e impressionistas, resultando numa obra muito bem conseguida, do ponto de vista da inspiração como da técnica.