Guimarães 2012 CEC

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Arte e Arquitectura

A programação de Arte e Arquitectura organiza-se em quatro ciclos, a saber: Sobre Audiências, Modos de Produção, Escalas e Territórios e um (Off)Ciclo intitulado Novas Linguagens e Espaço Público.

Estes Ciclos enquadram Projectos, Exposições, Eventos da Palavra e/ou Publicações. No item Projectos enquadram-se participações que podem ir de Residências a formas de envolvimento com a comunidade, podendo resultar em formatos expositivos. Por Exposições entende-se todo o formato de produção que implique um contacto com públicos, podendo ter lugar em espaço expositivo museológico, em espaço público ou em espaços não convencionais. Os Eventos da Palavra poderão ter natureza diversa, desde Conferências Internacionais de um ou dois dias, até conversas de carácter semi-formal com os artistas ou intervenientes nos projectos e/ou exposições, Master Classes, etc. As Publicações, que incluem Catálogos, Livros, Guias, entre outros, serão sempre, pelo menos, bilingues e contemplarão distribuição internacional.

Num sentido lato, a estrutura conceptual do programa desenvolve-se em torno de noções de espacialização e disseminação. Pretende-se gerar diferentes tipos de espaços simbólicos e físicos, em que as práticas artísticas e o pensamento crítico possam envolver-se no debate sobre a operatividade de um espaço interventivo para a arte e no questionamento dos processos das práticas artísticas relacionais.

Finalmente, promove-se a discussão da ideia de uma paisagem fabricada e mediada, abordando questões como a disseminação da obra de arte ou os sentidos gerados por modos de apropriação simbólica e estética. Sempre tendo em vista tanto os contextos locais, como os mais alargados, todo o programa está vocacionado para processos de intervenção e reposicionamento da curadoria, entendida tanto na sua vertente expositiva, como de produção de ideias curatoriais e de (co)laboração com públicos, generalistas ou especializados. Grande parte das obras que constituem o programa são realizadas de forma contextual e especificamente para Guimarães 2012, sendo a participação de artistas, arquitectos, designers e curadores de carácter marcadamente internacional.

I. SOBRE AUDIÊNCIAS
Ciclo que pretende apresentar possibilidades de criação, discussão e diferentes abordagens aos conceitos de público e audiência. Compõe-se de projectos de cariz participativo ou que integrem um posicionamento perante aqueles conceitos no seu próprio processo. A implementação, fidelização e circulação de novos públicos é o grande objectivo deste Ciclo, ao mesmo tempo que se pretende debater as questões inerentes a este campo da prática artística contemporânea. Este ciclo contemplará um bloco de projectos denominado Conectores que pretende albergar propostas de parceiros externos, individuais ou colectivos, projectos cuja génese, não tendo tido lugar na programação de Arte e Arquitectura, pela sua natureza justificam a sua associação ao programa. São em regra projectos multidisciplinares, podendo que cruzar outras áreas da programação, como a Música, as Artes Performativas ou o Cinema.

Além dos Projectos Conectores prevê-se a realização de um projecto abrangente que dá pelo nome de Laboratório de Curadoria e que criará uma plataforma de encontro entre vários agentes ligados à prática curatorial e à produção artística, de forma a questionar e reflectir sobre o papel da curadoria e sobre os seus modelos de acção. Este projecto chamará arquitectos para criar espaços físicos temporários e curadores para criarem espaços críticos, artistas para gerar espaços de intercâmbio e filósofos para impulsionarem espaços simbólicos.

Outros exemplos de projectos neste ciclo incluem a Conferência Humanity on the move, que resulta de um processo de investigação sobre modos de mobilidade de diferentes comunidades portuguesas ou relacionadas com o território português e as constituições da sua identidade; ou ainda um documentário criativo sobre a obra do arquitecto Fernando Távora em parceria com a área de programação de Cinema.

Prevê-se ainda a realização de, pelo menos, uma exposição de carácter monográfico sobre a obra de um artista de renome no panorama da arte contemporânea.

II. MODOS DE PRODUÇÃO
Tendo em conta que os modos de produção contemporâneos alteraram profundamente a forma como as disciplinas artísticas e criativas se relacionam e posicionam no sistema da Arte e da Cultura, este ciclo pretende abordar criticamente estes relacionamentos, encorajando a discussão sobre os modos como as práticas artística e arquitectónica poderão ter um impacto crítico noutras áreas da produção contemporânea.

Este ciclo conta com uma exposição de arquitectura experimental do grupo Archigram. A exposição mostrará os conceitos inovadores e os projectos visionários deste grupo inglês, especialmente activo durante os anos de 1961 a 1974. Esta exposição tem um aspecto lúdico e pedagógico, pelo que será um evento para a captação de novos públicos, nomeadamente crianças e jovens em idade escolar, bem como jovens adultos do ensino superior.

Outras exposições, entre as quais, Devir Menor, exposição temática sobre arquitectura e projectos espaciais emergentes na Iberoamérica com conceito de Inês Moreira e Susana Caló; Novos Media – Emergências, comissariada por Marta de Menezes, cujo objectivo é compreender as condições técnicas e tecnológicas que favoreceram ou condicionaram a experimentação de obras de arte contemporânea na área dos novos media e que conta, entre outros, com artistas como Dan Ackroyd & Heather Harvey, Sarah Jane Pell, John Klima, Gustavo Romano; ou a exposição, com comissariado de Paulo Mendes e, entre outros, os artistas Carla Filipe, Miguel Palma, Manuel Santos Maia e o designer Fernando Brízio; Collecting, Coleções e Conceitos, Collections and Concepts que questiona os modos de exposição tradicionais e a articulação conceptual subjacente ao acto de coleccionar, acumular e arquivar objectos e obras de arte, contemplando a utilização de obras que integram diversas coleções institucionais portuguesas.

Ainda neste ciclo acontece o projecto Olhares e Processos, que parte de convites dirigidos a vários artistas para focalizarem processos de trabalho sobre áreas específicas do concelho de Guimarães, abordando o contexto a partir de um ângulo à sua escolha, com vista a ser produzida uma confrontação de abordagens disciplinares sobre a própria ideia de contexto, da transferência de significado, das possibilidades de posicionar a prática artística no mundo contemporâneo. Este projecto conta com nomes de referência no panorama artístico nacional e internacional como por exemplo Ângela Ferreira, Emese Benzcur, Alfredo Jaar, Marysia Lewandowska e Collin Fournier, Michelangelo Pistoletto, Raqs Media Collective, Ricardo Basbaum, entre outros.

III. ESCALAS E TERRITÓRIOS
Este ciclo debruça-se sobre problemáticas que, sendo específicas ao território de Guimarães, podem ser contextualizadas por relação com um debate mais alargado sobre o papel da cultura e da arte nos territórios pós-industriais da Europa e do Mundo pós-colonial. A escala local e global, bem como o território físico e o cultural serão interrelacionados. Neste contexto, serão produzidas interpretações e representações de diversas escalas e territórios através dos olhares arquitectónico, artístico ou fotográfico.

Compreende projectos como por exemplo Edifícios e Vestígios, projecto concebido por Inês Moreira e Aneta Szylak que, olhando o pós-industrial através dos seus edifícios, se constitui como um ensaio de reflexão sobre o espaço e o edificado, bem como sobre os seus potenciais futuros e inclui o olhar de artistas como André Cepeda e Eduardo Matos. O projecto materializa-se numa exposição, conferência, catálogo visual e livro bilingue.

Missão Fotográfica é uma proposta de reflexão sobre o território do concelho de Guimarães e do Vale do Ave a partir de uma abordagem que envolve fotógrafos nacionais e estrangeiros, comissariada por Pedro Bandeira e Paulo Catrica.

De realçar ainda a exposição O Ser Urbano: a cidade sob o olhar de Nuno Portas, comissariada por Nuno Grande e que pretende apresentar uma abordagem às diversas escalas e formas de pensar e fazer a cidade, tendo como fio condutor a vida e a obra daquele arquitecto e urbanista. A exposição inclui depoimentos filmados de personalidades portuguesas e estrangeiras, de vários campos disciplinares sobre a vida, a obra, e a influência de Nuno Portas, bem como uma conferência, livro, catálogo e alguns filmes temáticos.

Com Castelo: Raiz e Utopia, que tem como comissário Paulo Cunha e Silva apresentará uma grelha transdisciplinar de eventos associados ao Castelo, em que o cruzamento entre as linguagens aparece como uma narrativa transversal. Nele participarão artistas plásticos, filósofos, cientistas, cineastas, escritores e criadores das artes performativas, para além de haver ainda incursões pela gastronomia e propostas de interpretação do modelo de um castelo por designers.

IV. (OFF) NOVAS LINGUAGENS E ESPAÇO PÚBLICO
Pretende este ciclo gerar intervenções e participação de públicos e de criadores de locais geográficos diversos, integrando na Capital Europeia da Cultura uma variedade de projectos que possam contribuir para a sensibilização à noção de “novas linguagens”, ao mesmo tempo contribuindo também para o enriquecimento e capacitação do que pode ser o espaço público participativo em Guimarães durante e para além de 2012.

Obra de papel é uma intervenção temporária de natureza inclusiva, constituída por uma obra no formato habitualmente associado ao jornal grátis a ser distribuído e expedido durante os anos de 2011 e 2012, num total de 24 números e com regularidade mensal. Juntando artistas com carreira internacional segura e artistas emergentes, conta, entre outros, com Matt Mulican, Mauro Cerqueira, Cristina Mateus, Rita Castro Neves, Martina Schmid, Susana Mendes Silva, Lawrence Weiner, António Olaio, Miguel Leal, Julião Sarmento, Francisco Queiróz, entre outros.

Este ciclo conta ainda com dois concursos internacionais um para uma peça tridimensional a instalar num espaço público da cidade de Guimarães, que ficará em permanência, perdurando após 2012, e outro de carácter temporário, comissariado por Pedro Gadanho, que se destina à criação de estruturas móveis ou temporárias, dirigido a estudantes de Arte e Arquitectura e jovens profissionais, a que se juntam convites especiais dirigidos a profissionais nacionais e internacionais, e que serão expostas e utilizadas no espaço público de Guimarães.

Cidade atmosférica_Atmospheric City é um evento no espaço público do concelho de Guimarães que apresenta instalações arquitectónicas e artísticas de criadores de referência internacional, reunidas para ser vistas e utilizadas pelo público da cidade, criando um dinamismo e vivência do espaço público próprios de momentos como os que uma Capital Europeia da Cultura deve oferecer aos seus habitantes e visitantes.

 
 
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